Nossa História
Toda obra séria nasce da graça de Deus, da simplicidade dos meios e da disposição de obedecer.
A história do Conexão ide começou assim, de modo simples, inesperado e profundamente
marcado pela convicção de que o Evangelho precisa ser anunciado com fidelidade, coragem e amor.

Como tudo começou
Queremos compartilhar com você como Deus começou a dirigir os primeiros passos deste ministério.
Lembro-me com clareza de como nasceu a forma de evangelismo que, mais tarde, marcaria o Conexão ide.
Estávamos eu, o irmão Eduardo Freitas e Anderson Alexandre, reunidos ao som de um velho violão
em frente à escola de uma pequena cidade do Rio Grande do Norte. Aos poucos, alguns alunos começaram
a se aproximar, curiosos para entender o que estava acontecendo.
“PASTOR JADER VOLTA À CIDADE ONDE TUDO COMEÇOU” | VEJA NO VÍDEO ABAIXO
Não demorou para que a conversa se voltasse à alegria de servir a Jesus. Nossa igreja já realizava
trabalhos em escolas, e Eduardo mencionou esse tipo de ação aos jovens que nos ouviam. Um deles,
com espontaneidade, perguntou se faríamos aquilo também ali. A resposta inicial foi cautelosa:
talvez em outra oportunidade. Mas foi exatamente naquele momento que senti, com clareza, o impulso
do Espírito Santo para não adiar o que Deus estava colocando diante de nós. Naquela mesma noite,
fui procurar o diretor da escola.
Apresentei-me como um jovem vindo de João Pessoa que desejava, junto com sua equipe, realizar
um trabalho de conscientização para a juventude, abordando temas urgentes da realidade daquele tempo
dentro de uma perspectiva cristã. Para nossa surpresa, o diretor aceitou imediatamente e nos concedeu
quarenta minutos na noite seguinte. Voltei para contar a novidade ao grupo, e a notícia foi recebida
com entusiasmo, mas também com aquela responsabilidade que só se percebe quando a porta se abre antes
de estarmos completamente prontos.
Na manhã seguinte, reunidos na casa de minha tia, nossa pergunta era muito objetiva: o que apresentar?
Eu me afastei por um momento para pensar, e, quando voltei, Eduardo e Anderson já haviam estruturado
uma peça teatral sobre drogas, apontando para Jesus como a verdadeira resposta. A partir dali começamos
a definir os louvores e a mensagem bíblica. Não tínhamos caixa amplificada, microfone ou qualquer estrutura.
Tudo o que possuíamos era um velho violão e nossas vozes.
Chegada a hora, passamos de sala em sala convidando os alunos para o pátio da escola. Enquanto o grupo
se reunia, confesso que o coração tremia. Lembro-me bem da tensão daquele instante e da frase de Eduardo,
simples e decisiva: “Agora comece”. Pedi atenção e, para minha surpresa, instalou-se um silêncio profundo.
Anderson iniciou um cântico, e logo se formou diante de nós um coral espontâneo de vozes, inclusive de muitos
que nem sequer eram evangélicos. Depois do louvor, a peça foi apresentada e recebida com atenção. Em seguida,
Anderson compartilhou uma breve palavra sobre os caminhos destrutivos que o mundo oferece à juventude,
e eu continuei com uma mensagem baseada em Provérbios 14:12: “Há caminho que ao homem parece
direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte”.
Ao final do trabalho, várias pessoas nos procuraram desejando conhecer melhor o que estávamos fazendo.
Entre elas estava um rapaz chamado Berg, que trabalhava em uma rádio FM comunitária da cidade. Ele nos convidou
para participar de seu programa, e ali tivemos uma oportunidade preciosa de evangelizar, falar do amor de Deus
e convidar os ouvintes a buscarem uma igreja evangélica. Anderson também pôde cantar apenas com voz e violão.
Deixamos, inclusive, um CD gospel para ser executado na programação da rádio, o que de fato aconteceu.
No domingo pela manhã, fomos à praça da cidade, localizada em frente a uma igreja católica romana.
O velho violão, mais uma vez, estava conosco. Enquanto cantávamos, uma reunião da Renovação Carismática
Católica estava prestes a começar. Alguns jovens que haviam nos visto na escola nos reconheceram e nos
convidaram a participar daquele encontro. Fomos. Muitas das canções eram conhecidas, e discernimos com cuidado
cada momento. O tema da reunião girava em torno da misericórdia de Deus. Permaneci em silêncio até que,
já no encerramento, o dirigente perguntou se alguém gostaria de deixar uma palavra e, em seguida,
mencionou publicamente que gostaria de ouvir “aquele jovem”, por perceber que eu era evangélico.
Anderson pediu permissão para usar o teclado e começou a tocar um cântico ao Senhor. Enquanto isso,
falei sobre Cristo como Salvador, tomando como base o cântico de Maria em Lucas 1:46-47.
Compartilhei que necessitamos de Salvador porque nosso problema não é superficial, mas o pecado,
e porque a misericórdia de Deus não pode ser tratada com leviandade. Aquela oportunidade, inteiramente
inesperada, se tornou mais uma evidência de que o Senhor já estava abrindo caminhos que nenhum de nós
havia planejado.
Depois daquela reunião, várias pessoas vieram conversar conosco. Algumas foram ao culto na igreja evangélica
da cidade. Uma delas foi batizada pouco tempo depois. Outras passaram a frequentar os cultos, e muitas vieram
a professar fé em Jesus como único e suficiente Salvador. Mais do que números, aquilo nos ensinou algo que nunca
abandonamos: Deus age de modo surpreendente quando nos dispomos a obedecer, mesmo com poucos recursos e muita dependência.
Foi aqui que o Conexão Ide deu seus primeiros passos missionários além de sua cidade de origem.
Com o passar do tempo, entendemos que aquele episódio não era apenas uma lembrança bonita da juventude,
mas o início de um chamado ministerial. Ali estavam, em estado embrionário, marcas que acompanhariam o
Conexão ide até hoje: evangelismo relacional, criatividade a serviço da mensagem, coragem para ocupar espaços,
compromisso com a verdade bíblica e amor sincero pelas pessoas.
Também aprendemos uma lição pastoral importante: o Evangelho não deve ser comunicado de forma artificial,
agressiva ou desconectada da realidade das pessoas. A melhor forma de evangelizar continua sendo a proximidade
sincera, a formação de vínculos verdadeiros e a apresentação clara de Cristo. Como ensina o apóstolo Paulo,
“quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”
(1 Coríntios 10:31). Isso inclui a maneira como vivemos, conversamos, servimos e testemunhamos.
A partir daqueles primeiros passos, Deus nos conduziu a novas frentes, novos projetos e novas cidades.
O que começou com um violão antigo, uma peça de teatro improvisada e corações dispostos a obedecer,
tornou-se uma obra missionária com identidade própria, mas com o mesmo fundamento de sempre:
anunciar Jesus Cristo com fidelidade, simplicidade e ousadia, para a glória de Deus.