O Sertão Nordestino

Pastor Jader Medeiros e família no sertão

O Sertão

Conheça melhor essa região tão desafiadora do Brasil e entenda por que ela continua sendo uma das grandes prioridades missionárias do Ministério Conexão ide.

Pastor Jader no sertão

Com a sua ajuda, o Ministério Conexão ide tem contribuído para transformar realidades no Sertão Nordestino. Nesta página, apresentamos um panorama dessa região, os desafios que ainda marcam sua realidade e algumas das frentes por meio das quais temos buscado servir com fidelidade.

Ao final, você também encontrará caminhos para conhecer melhor essa causa, envolver-se em oração, participar, contribuir e divulgar o trabalho missionário desenvolvido entre povos e comunidades do sertão.

Conhecendo o Sertão Nordestino

O Nordeste brasileiro é formado por nove estados: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. Dentro dessa vasta região, porém, existem realidades muito diferentes entre si.

De um lado está o Nordeste mais conhecido por suas capitais, pelo litoral, pelo turismo, por centros urbanos mais estruturados e por uma presença evangélica mais consolidada. De outro lado está o Nordeste do interior, especialmente o sertão, marcado por maiores limitações sociais, menor acesso a recursos e uma necessidade missionária muito mais intensa.

Sertão e Ministério Conexão ide

“Existe o sertão dos grandes centros, relativamente desenvolvido, mas marcado pela mesma carência espiritual que tantos lugares. E existe o sertão que se estende além das cidades, nos vilarejos, sítios e povoados, onde a realidade é mais dura. Falta Palavra de Deus, mas também falta o básico para a dignidade humana, como água e saneamento. É um sertão esquecido pelos governos e também por muitas igrejas.”

Pastor Jader Medeiros
Paisagem do sertão em Patos e Coxixola

Dois Nordestes, realidades muito diferentes

O Nordeste litorâneo costuma receber mais visibilidade, investimentos e atenção. Em muitos desses contextos, a presença de igrejas evangélicas já é mais estruturada, com comunidades estabelecidas e maior densidade de testemunho cristão.

Já o sertão e os interiores apresentam outra realidade. Em muitas áreas, ainda há índices elevados de pobreza, analfabetismo, carência de infraestrutura e forte presença de tradições religiosas e superstições que dificultam o avanço do evangelho.

Por isso, olhar para o sertão é reconhecer que o Brasil ainda possui regiões profundamente necessitadas de presença missionária constante, sensível e perseverante.

Um dos maiores desafios missionários do Brasil

Ação missionária no sertão

O Sertão Nordestino continua sendo apontado como uma das áreas menos evangelizadas do país. A própria apresentação histórica desta página destaca que 71% das cidades menos evangelizadas do Brasil estão nessa região e que, das 485 cidades brasileiras com menos de 3% de evangélicos, 343 ficam no Sertão Nordestino.

Também se menciona a existência de milhares de comunidades rurais e vilarejos sem presença eclesiástica consistente. Esses dados ajudam a compreender por que o sertão ocupa um lugar tão central na visão missionária do Ministério Conexão ide.

No Sertão, estão representações dos 8 grupos não alcançados do Brasil

Representações dos grupos não alcançados no sertão

No Brasil há oito segmentos reconhecidamente menos evangelizados, sendo sete socioculturais e um socioeconômico.

1. Indígenas
Com 117 etnias sem presença missionária e sem o conhecimento do Evangelho. Estas etnias, com pouco ou nenhum conhecimento de Cristo, espalham-se por todo o Brasil com forte concentração no Norte e Nordeste. Os índios do sertão compreendem diversos povos (como Fulni-ô, Xucuru-Kariri, Pankararé e Cariri) que resistiram à colonização e ao apagamento histórico, mantendo tradições como o Toré, a medicina ancestral e a luta por territórios. Eles habitam áreas de semiárido, utilizando conhecimentos profundos da caatinga para agricultura e pesca onde possível.

2. Ribeirinhos
Na bacia amazônica há 37.000 comunidades ribeirinhas ao longo de centenas de rios e igarapés. As pesquisas mais recentes apontam a ausência de igrejas evangélicas em cerca de 10.000 dessas comunidades. Já os Ribeirinhos do sertão, especialmente os do Rio São Francisco, são comunidades tradicionais adaptadas à caatinga, vivendo da pesca artesanal, agricultura familiar (roças de sequeiro) e extrativismo. Enfrentam a seca e a irregularidade das chuvas, dependendo do “Velho Chico” para transporte, alimentação e renda, mantendo uma forte ligação cultural com o rio. Mas também há ribeirinhos sertanejos nos outros estados do nordeste.

3. Ciganos, sobretudo da etnia Calon
Há cerca de 700.000 Ciganos Calon no Brasil e apenas 1.000 se declaram crentes no Senhor Jesus. Os ciganos espalham-se por todo o território nacional nas grandes e pequenas cidades, vivendo em comunidades nômades, seminômades ou sedentárias. Os ciganos no Sertão nordestino, com destaque para grupos Calon em Souza (PB), vivem majoritariamente fixados em assentamentos precários, enfrentando pobreza, invisibilidade social e forte preconceito, apesar de terem raízes profundas na região desde o século XVII. Eles atuam no comércio e, com o fim do nomadismo.

4. Sertanejos
Evidentemente esse grupo faz parte do Sertão. Louvamos a Deus por tudo que tem ocorrido na região nos últimos 10 anos, centenas de assentamentos sertanejos evangelizados e muitas igrejas plantadas. Estima-se, porém, que ainda haja quase 6.000 assentamentos sem a presença de uma igreja evangélica.

5. Quilombolas
Formados por comunidades de afrodescendentes que se alojaram em áreas mais ou menos remotas nos últimos 200 anos. Há possivelmente 5.000 comunidades quilombolas no Brasil, sendo 3.524 oficialmente reconhecidas. Estima-se que 2.000 ainda permaneçam sem a presença de uma igreja evangélica. Os quilombolas do Sertão, representam comunidades negras rurais que se autodefinem pela ancestralidade, cultura própria e relação com a terra, enfrentando desafios como a seca e a regularização fundiária. Eles preservam tradições ritualísticas através de saberes artesanais, músicas (lundu) e festas, com destaque para comunidades na Bahia e Pernambuco.

6. Imigrantes
Há mais de 100 países bem representados no Brasil por meio de imigrantes de longo prazo com uma população de quase 300.000 pessoas. Dentre esses, 27 são países onde não há plena liberdade para o envio missionário ou pregação do Evangelho. Ou seja, dificilmente conseguiríamos enviar missionários para diversos países que estão bem representados entre nós, sobretudo em São Paulo, Brasília, Foz do Iguaçu e Rio de Janeiro. Mas, a presença de imigrantes venezuelanos, bolivianbos, equatorianos e peruanos no sertão nordestino é um desdobramento da “Operação Acolhida” e de fluxos migratórios espontâneos que buscam novas oportunidades fora dos centros superlotados do norte do Brasil. Embora a grande maioria dos venezuelanos se concentre em Roraima e no Amazonas, a interiorização tem levado famílias a estados do Nordeste, incluindo áreas do interior, onde buscam acolhimento e emprego. Há registros de que muitos chegam ao sertão através de uma longa caminhada e caronas. Muitos infelismente são vistos pedindo em sinais das cidades maiores no sertão. Inclusive com crianças.

7. Surdos, com limitações de comunicação
Há mais de 9 milhões de pessoas nesta categoria em nosso país e menos de 1% se declara crente no Senhor Jesus. Há pouquíssimas ações missionárias especificamente direcionadas para os surdos em todo o território nacional e isso fica ainda mais evidente em comunidades do sertão. Um fato curioso: No sertão do Piauí, especificamente no distrito de Várzea Queimada (Jaicós), destaca-se uma comunidade com alta incidência de surdez (34 surdos em 900 habitantes), que desenvolveu uma língua de sinais própria, a “Cena”, baseada em gestos cotidianos. Essa língua original, criada por surdos e ouvintes, difere da Libras.

8. Os mais ricos dos ricos e os mais pobres dos pobres
O oitavo segmento não é sociocultural como os demais, mas socioeconômico. Divide-se em dois extremos: os mais ricos dos ricos e os mais pobres dos pobres. As últimas pesquisas nacionais demonstram que a presença evangélica é expressiva nas escalas socioeconômicas que se encontram entre os dois pontos, porém sensivelmente menor nos extremos. Em alguns Estados brasileiros há três vezes menos evangélicos entre os mais ricos e os mais pobres do que nos demais segmentos socioeconômicos. Um fato curioso: Muito se fala da pobreza no sertão, mas os “ricos do sertão” englobam tanto bilionários cearenses e nordestinos com fortunas baseadas em energia renovável, varejo e saúde, quanto a riqueza natural e produtiva da região, como a fruticultura no Vale do São Francisco, a agricultura familiar, o artesanato em couro e minerais estratégicos. Há ainda muitos presidentes de consecionárias e empresários em geral.

Em diversas cidades, a igreja existente é pequena, frágil e dependente de apoio externo. Em outras, o testemunho cristão ainda é muito reduzido. Esse cenário reforça a necessidade de continuidade, investimento missionário e compromisso de longo prazo.

Os efeitos da seca e da escassez hídrica

Poço no sertão

Além da necessidade espiritual, o sertão convive com dificuldades sociais muito concretas. A seca não é apenas um dado climático. Ela afeta diretamente a agricultura, a criação de animais, a renda familiar, a alimentação e o acesso à água de qualidade.

Em muitas comunidades, famílias enfrentam longas distâncias para conseguir água, e nem sempre a água encontrada é própria para consumo. Isso contribui para o agravamento de doenças, da fome, da miséria e da vulnerabilidade social.

Por isso, o trabalho missionário no sertão precisa ser sensível à realidade como um todo, unindo proclamação do evangelho com cuidado prático, compaixão e ações concretas de ajuda.

O que estamos fazendo e como você pode ajudar

Carros de Perfuração

A atuação do Ministério Conexão ide no sertão busca responder a esse contexto por meio da evangelização, do fortalecimento de comunidades, da mobilização missionária e de iniciativas sociais voltadas ao alívio do sofrimento humano.

Entre essas frentes, destaca-se também o cuidado com regiões afetadas pela seca, como acontece por meio do Projeto Água da Vida e de outras ações missionárias e humanitárias desenvolvidas ao longo do tempo.

Você pode fazer parte dessa causa conhecendo melhor a realidade do sertão, orando, divulgando, ofertando e apoiando as ações missionárias que continuam levando esperança, cuidado e o evangelho de Cristo a comunidades muitas vezes esquecidas.

Recursos sobre o Sertão Nordestino

Aprofunde seu conhecimento sobre a realidade missionária do sertão e conheça caminhos práticos para participar dessa causa.

PDF

Relatório Missionário

Cidades do Nordeste com menos de 2% de crentes.

Acessar

Cards

30 cidades menos evangelizadas

Informações sobre regiões com menor presença evangélica no Nordeste.

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Projeto

Projeto Água da Vida

Conheça e apoie a iniciativa que leva água potável ao sertão.

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